"Eu sou uma rapariga com 19 anos. Sou tímida, divertida e simpática.
Eu tenho um problema de audição: Surdez Profunda Neuro- Sensorial Bilateral irreversível (crónica).
Em 2000, foi realizado um relatório clínico.
"Realizou potencias evacuados auditivos do tronco cerebral aos 4 meses que foram considerados normais. Por suspeita clínica de surdez realizou novas potencias evocados aos 2 anos e 4 meses (2 anos de corrigida) que também foram considerados normais.(...)Após reavaliação (...), havendo possibilidade de se tratar de uma surdez grave ou profunda para sons agudos. (...) aconselhei de imediato o uso de próteses auditivas (...)Embora notasse inicialmente uma melhoria discreta, isso agora não é evidente, (...)(...) terá eventualmente indicação para implante coclear."
Comecei a ir às terapias da fala, a psicólogos e a apoios escolares.
Não sei, se a causa deste problema de saúde foi uma gravidez de risco ou prematura.
Também, não sei como os meus pais se sentiram e reagiram ao saberem da doença. Mas, sei como eu me senti e sinto.
Quando me apercebi que usava o aparelho auditivo para ouvir, fiquei muito triste, não gostei da noticia,e ainda não gosto.
Não gosto de ter de dizer às pessoas que sou surda, porque ainda é difícil lidar com isso, quanto mais falar com as outras pessoas sobre tal assunto.
As pessoas ficam admiradas e às vezes até me pedem para mostrar o aparelho e querem aprofundar mais o assunto. Eu não quero falar nisso.
É me impossibilitado algumas coisas. E muitas delas é me dificultado. Tenho de estar sempre a provar-lo, para cada coisa que faço.
Se me candidatar a um trabalho, sou a primeira escolha?
Se quiser guiar, será que me deixam?
E para estudar e tirar boas notas, como faço sabendo que tenho as bases, mas que elas são mínimas, pois, só depois de ter sido implantada, 3/4 anos, é que comecei a falar direito? As crianças de hoje, aos 2 anos, até já sabem escrever o nome delas, mal mas sabem.
Fiz um curso profissional. No inicio do curso, tive muitas dificuldades e pedi ajuda a colegas e a professores para me ajudarem as supera-las. Com muito esforço, finalizei o curso com média de 14.
Tenho fé que me chamem para o emprego e para poder tirar a carta de condução."
Assinado: Anónimo
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